Sonhos, anseios, neuras e afins.

Entre e aconchegue-se!

'No sentido mais profundo, sonhamos todos não a partir de nós, mas a partir do que está entre nós e o outro'. Carl Jung

Últimas

O medo de ser feliz.

Pode soar estranho, mas toda vez que me proponho a fazer certas coisas que venham requerer certo comprometimento, tal como o de atualizar um blog periodicamente, sinto-me tomada por uma espécie de ansiedade. Ansiedade tal que compreendo como proveniente do medo de sentir-me presa às coisas. Curioso que a mesma ansiedade eu talvez não experimente com tanta intensidade se tratando de situações que da mesma forma me prendam, mas que possam talvez não serem tão recompensadoras assim.

Pausa para reflexão.

Porque raios este medo, medo este que gera ansiedade, do compromisso com coisas e situações que podem vir a me fazer bem, de fato? Seria meu subconsciente tentando sabotar minha felicidade?

 Devaneios, a parte, a verdade é que sim. Podemos ter sido tão acostumados a vida inteira a nos submetermos às situações de obrigação e não de prazer, a acreditarmos que não somos capazes e competentes, a que tudo vai dar em merda no final, que simplesmente, por mais antagônico que possa parecer, travamo-nos diante de uma situação, pessoa ou empreitada inesperada que possam sim, nos trazer a tal felicidade.

Falando um pouco de antagonismo, ou melhor dizendo, de forças antagônicas, alguém já teve algum sonho parecido com o de estar tentando alcançar algo de valor material, um pote de ouro por exemplo, mas foi dominado por uma força inerte que o puxasse para trás e que como numa espécie de slow motion ao contrário, fosse cada vez mais se afastando do pote de ouro? Eu já, muitas vezes.

Segunda pausa para reflexão.

Recentemente descobri a mensagem implícita em tudo isto. Terminei de ler um ótimo livro, chamado ’A psicologia do Amor’, que comecei de forma muito despretensiosa a ler (quer dizer, não tão despretensiosa assim, mas isto é assunto para um próximo post), que trouxe-me repostas para perguntas que eu nem ainda havia dado por conta que tinha. Em suma, o maior insight captado desta leitura é o de que, impreterivelmente, vez ou outra, tomamos decisões que a intuição parece não endossar. Algo em nós compreende que não é o melhor a se fazer, mas convenientemente recalcamos esta ‘vozinha’ que incomoda.

 Claro, todo ser em seu estado de consciência deseja para si o melhor que a vida possa oferecer (obviamente que com algumas variações de graus): emprego bacana, dinheiro no banco, parceiro (a) leal, vida sexual saudável, viagens, família feliz e saúde. Porque é que então, por tantas vezes nos pegamos em situações extremamente parecidas, repetindo padrões de comportamento que nos levam ao insucesso e infelicidade? Porque somos desprovidos de inteligência emocional? Não, puramente e simplesmente por que somos frequentemente raptados por nosso inconsciente sabotador. Obviamente, que nem todos sofrem de tal desafio. Alguns foram programados para serem realmente felizes. Outros, foram programados para saírem por aí rodopiando, numa busca incessante repleta de tentativas de erros e acertos. E é aí que as coisas parecem emperrar.

É necessário que estejamos atentos, muito atentos de verdade aos nossos instintos. É preciso muita, mas muita conversa com nossas emoções. É necessário muito confronto interior e uma constante auto-avaliação acerca da nossa realidade de vida. É necessário curtir de verdade a nossa solidão, pra que as idéias sejam colocadas em ordem, nossos valores sejam reavaliados e nosso botão do piloto automático seja desativado. Parece clichê, mas é fato que desejo piamente acreditar que o meu final feliz eu seja capaz de escrever. O primeiro passo seria o de repente desarmar o meu crítico interno, sentir-me por debaixo dos meus poros e deixar o meu maior amor fluir. O amor próprio.

Acredito que quando o melhor elo for estabelecido entre eu e eu mesma, estarei em sintonia com os meus desejos mais íntimos e saberei dizer não a tudo quanto é coisa e ou situação que possam a vir contra os meus princípios. Serei dependente somente de mim mesma e paradoxalmente apta a amar verdadeiramente. Com liberdade e entrega.

Love,

Dri.

 

Alma Indie.

Engraçado, nunca havia pensado em criar um blog antes. Quando menina, tinha mania de começar diários, mas como quase tudo que simplesmente e somente começo em minha vida, não conseguia estender-me por mais do que 5 dias de relatos e confissões. Diga-se de passagem, foi na infância mesmo que logo percebi-me como grande observadora e questionadora da vida .

Lembro-me de sempre estar à espreita, vislumbrando o comportamento alheio e curtindo minha solidão. As outras crianças sempre pareciam se divertir mais que eu. Os adultos me viam como a menina carente. Verdade que sempre me senti à deriva e nunca parte integrante de todo aquele enredo que se desenrolava a minha volta. Obviamente que, como tudo Freud explica, meu comportamento não poderia ter embasamento mais coerente e auto-explicativo do que nela, a minha infância.

Aliás, quase todas, senão todas as dores da alma começam nesta fase. O carinho não dado, as palavras certas não ditas e as palavras erradas pronunciadas em profusão. O pai que é príncipe e que vira sapo, a mãe ausente que nunca se pronunciou e outros tantos personagens que mais poderiam ter saído de um dramalhão mexicano.

Então crescemos, damos o grito da independência, assumimos os nossos próprios riscos, fazemos nossas escolhas, escolhemos nossa profissão. Fazemos nossa primeira viagem só, passamos nosso primeiro natal com os amigos, dormimos na casa do namorado pela primeria vez. Tomamos nosso primeiro porre, damos o trago no nosso primeiro cigarrinho. Decidimos alugar nosso primeiro apê, a pagar nossas primeiras contas de peso. Fazemos nossas festinhas particulares e lidamos diretamente com o síndico depois. Levamos nossos affairs pra casa e acordamos no dia seguinte com ressaca moral, só que desta vez não podendo simplesmente vestir a roupa e bater em disparada. Olhamos para nosso chefe, colegas de trabalho, temos as sensação de não pertencermos àquele ‘filme’, mas a responsabilidade pesa no ombro e então passamos a conhecer o real sentido da palavra ‘politicagem’.

E então a vida lhe ensinou. Você descobre que já é mulher. Amadureceu. E eis que ela, a vida, tal como aquela figura pitoresca da tia má de unhas longas e afiadas, te pega pelos braço, com toda sua doçura ácida, lhe esfrega na cara, sem dó nem piedade, que a jornada somente começou.

Ousando parafrasear Oscar Niemeyer quando disse que Justin Bieber perto dele era somente um espermatozóide, eu, aos meus quase trinta, afirmo sem sombra de dúvida que sou somente um zigoto nesta loucura toda que se chama Vida.

Mudando um pouco o rumo dos meus pensamentos , é incrível a sensação que ainda carrego comigo da infância de ‘não pertencer’. Não sei por ter passado muito tempo captando o ‘sensorial’, ou, se de repente por uma certa sensibilidade inerente à minha própria natureza, o fato é que desenvolvi gostos e vontades muito diferentes das dos meus amigos. Me meto em situações que não posso nem ter o gostinho de compartilhar depois, sem que me achem uma louca. Posso dizer que já nem me preocupo mais tanto assim, mas por um bom tempo confesso que me senti um pássaro fora do ninho, uma Alma Indie.

Na minha concepção de indie, tais como as bandas de rock indie (que adoro de paixão!) que não se rendem a indústria fonográfica e seguem um estilo todo autêntico e particular que atinge uma minoria restrita, mas fiel, uma Alma Indie, nada mais seria que uma psique desenvolvida em condições diferenciadas de ‘temperatura e pressão’ e, portanto, dotada de uma sensibilidade que somente poucos conseguem compreender e quando compreendem acham brilhante.

Não tenho a menor pretensão de considerar-me isto ou aquilo outro, aliás, abstenho-me de qualquer responsabilidade de dizer sempre coisas interessantes e que façam as pessoas refletir. Tem dia que sou chata pra burro mesmo! E me dou o direito de ser.

Enfim, o intuito deste blog é o de exteriorizar todas as minhas inquietações e quem sabe torná-las mais brandas.

Perdoem-me por minha verborragia ocasional. Tenho palavras fortes, mas um coração BEM pastel. 

Love, Dri.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.