Pode soar estranho, mas toda vez que me proponho a fazer certas coisas que venham requerer certo comprometimento, tal como o de atualizar um blog periodicamente, sinto-me tomada por uma espécie de ansiedade. Ansiedade tal que compreendo como proveniente do medo de sentir-me presa às coisas. Curioso que a mesma ansiedade eu talvez não experimente com tanta intensidade se tratando de situações que da mesma forma me prendam, mas que possam talvez não serem tão recompensadoras assim.
Pausa para reflexão.
Porque raios este medo, medo este que gera ansiedade, do compromisso com coisas e situações que podem vir a me fazer bem, de fato? Seria meu subconsciente tentando sabotar minha felicidade?
Devaneios, a parte, a verdade é que sim. Podemos ter sido tão acostumados a vida inteira a nos submetermos às situações de obrigação e não de prazer, a acreditarmos que não somos capazes e competentes, a que tudo vai dar em merda no final, que simplesmente, por mais antagônico que possa parecer, travamo-nos diante de uma situação, pessoa ou empreitada inesperada que possam sim, nos trazer a tal felicidade.
Falando um pouco de antagonismo, ou melhor dizendo, de forças antagônicas, alguém já teve algum sonho parecido com o de estar tentando alcançar algo de valor material, um pote de ouro por exemplo, mas foi dominado por uma força inerte que o puxasse para trás e que como numa espécie de slow motion ao contrário, fosse cada vez mais se afastando do pote de ouro? Eu já, muitas vezes.
Segunda pausa para reflexão.
Recentemente descobri a mensagem implícita em tudo isto. Terminei de ler um ótimo livro, chamado ’A psicologia do Amor’, que comecei de forma muito despretensiosa a ler (quer dizer, não tão despretensiosa assim, mas isto é assunto para um próximo post), que trouxe-me repostas para perguntas que eu nem ainda havia dado por conta que tinha. Em suma, o maior insight captado desta leitura é o de que, impreterivelmente, vez ou outra, tomamos decisões que a intuição parece não endossar. Algo em nós compreende que não é o melhor a se fazer, mas convenientemente recalcamos esta ‘vozinha’ que incomoda.
Claro, todo ser em seu estado de consciência deseja para si o melhor que a vida possa oferecer (obviamente que com algumas variações de graus): emprego bacana, dinheiro no banco, parceiro (a) leal, vida sexual saudável, viagens, família feliz e saúde. Porque é que então, por tantas vezes nos pegamos em situações extremamente parecidas, repetindo padrões de comportamento que nos levam ao insucesso e infelicidade? Porque somos desprovidos de inteligência emocional? Não, puramente e simplesmente por que somos frequentemente raptados por nosso inconsciente sabotador. Obviamente, que nem todos sofrem de tal desafio. Alguns foram programados para serem realmente felizes. Outros, foram programados para saírem por aí rodopiando, numa busca incessante repleta de tentativas de erros e acertos. E é aí que as coisas parecem emperrar.
É necessário que estejamos atentos, muito atentos de verdade aos nossos instintos. É preciso muita, mas muita conversa com nossas emoções. É necessário muito confronto interior e uma constante auto-avaliação acerca da nossa realidade de vida. É necessário curtir de verdade a nossa solidão, pra que as idéias sejam colocadas em ordem, nossos valores sejam reavaliados e nosso botão do piloto automático seja desativado. Parece clichê, mas é fato que desejo piamente acreditar que o meu final feliz eu seja capaz de escrever. O primeiro passo seria o de repente desarmar o meu crítico interno, sentir-me por debaixo dos meus poros e deixar o meu maior amor fluir. O amor próprio.
Acredito que quando o melhor elo for estabelecido entre eu e eu mesma, estarei em sintonia com os meus desejos mais íntimos e saberei dizer não a tudo quanto é coisa e ou situação que possam a vir contra os meus princípios. Serei dependente somente de mim mesma e paradoxalmente apta a amar verdadeiramente. Com liberdade e entrega.
Love,
Dri.
